Você está aqui

Por que Black Mirror explode a cabeça e nos faz pensar na sociedade que vivemos?

Por que Black Mirror explode a cabeça e nos faz pensar na sociedade que vivemos?

Mesmo que você não tenha assistido, com certeza já se deparou em suas redes sociais, nas rodas de amigos, no trabalho ou na casa de algum parente, alguém falando sobre o impacto que Black Mirror causa na vida do ser humano. Pois bem, causa mesmo!

A série britânica de ficção científica, criada por Charlie Brooker, utiliza a tecnologia como ponto central e apresenta uma sociedade que tem um convívio – às vezes sombrio, às vezes triste - com as novas tecnologias.

A produção está em sua terceira temporada e conta com 13 episódios independentes, ou seja, não precisa assistir em ordem para poder compreender a série, pois para cada episódio muda-se os personagens, set, enredo, mas sempre levantando um questionamento.

Mas por que Black Mirror explode a cabeça?

Black Mirror não se trata de uma série distópica futurista, mas sim de uma produção que mostra da forma mais perturbadora possível o presente que vivemos e não percebemos. Trazendo reflexões sobre o modo de vida de nossa sociedade contemporânea e como o convívio tecnológico, muitas vezes, pode ser maléfico e consegue interferir no individual e no coletivo. Por isso que explode a cabeça!

O livro, “A Sociedade do Espetáculo” de Guy Debord (1967), apresenta algumas teorias semelhantes à de Black Mirror que foi feita em 2011. Debord, aborda diversas formas em que a realidade pode se constituir como espetáculos atingindo diversas esferas, seja cultural, econômica, política, social, etc.

Logo no primeiro capítulo do livro, o autor afirma que “Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai na fumaça da representação” e completa dizendo:  “O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas mediatizada por imagens”.

Black Mirror mostra muito bem a teoria da representação e do espetáculo no qual vivemos, fazendo analogias muito fortes sobre pessoas que criam personagens para alcançar um propósito, para tirar algum tipo de informação, para aplicar alguma punição, para não esquecer alguém, mas principalmente, para poder viver de um modo que pareça real mesmo estando inserido numa realidade.

E é isso que acontece na sociedade em que vivemos, não é mesmo?

Hoje em dia, a representação de vida ou existência é medida por aquilo que se posta nas redes sociais, aquele smartphone de última geração que tem que ter, aquele aplicativo que ajuda no relacionamento amoroso, aquela conversa, foto ou vídeo que fazemos backup na nuvem para poder ter uma lembrança.  E caso queira esquecer de algo, é só bloquear ou deletar.

A série é quase uma Alegoria da Caverna, pois questiona a percepção do mundo a nossa volta. Vale a pena assistir!

Aproveitando os grandes questionamentos que a série traz, O Centro de Pesquisa e Formação do Sesc em São Paulo ministrará o curso “Sociedade Black Mirror”, no qual se aprofunda no quanto o futuro tecnológico já é presente em nossas vidas, por meio de analises de episódios.

Os cursos acontecem de 03 a 24 de abril de 2017, todas as segundas das 19h30 às 21h30. Tendo uma taxa de entrada e limite de 40 vagas.  Para saber mais acesse aqui.  

Comentários