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Economia Solidária: uma visão multidimensional

Economia Solidária: uma visão multidimensional

Hoje, 15 de dezembro, comemora-se o Dia da Economia Solidária. A expressão economia solidária, é de origem brasileira, mas trata-se de um movimento que ocorre no mundo inteiro e visa a produção, consumo e distribuição de riquezas com foco na valorização humana e suas bases são empreendimentos coletivos (associações, cooperativas, grupos informais e sociedades mercantis).

Alguns historiadores dizem que a economia solidária surgiu na Primeira Revolução Industrial, com a chegada da máquina a vapor alguns artesãos foram expulsos dos mercados, foi então na passagem do século XVIII e XIX, que surgiram os primeiros sindicatos e as primeiras cooperativas, o que ajudaram na consolidação das cooperativas de consumo.

O dia tem por objetivo incentivar a defesa do trabalho associado a partir do desenvolvimento sustentável, sem exploração, com justiça social e respeito. A economia solidária pode ser definida em três dimensões:

  • Economicamente: na economia solidária, não existe patrão nem empregado, pois todos fazem parte de um grupo com o mesmo interesse, ou seja, a atividade de produção, consumo, oferta de serviços, comercialização e etc, são baseados na democracia.
  • Politicamente: Nesta dimensão, a luta é pela mudança da sociedade, pensa-se em uma forma diferente de desenvolvimento, em que a população tenha seus valores a partir da solidariedade, da preservação do meio ambiente, dos direitos humanos e democracia. Então, a esfera política da Economia Solidária, é um movimento social que luta por inclusão de valores para melhoria coletiva.
  • Culturalmente: Tem objetivo de mudar o paradigma de competição e atribuir a inteligência coletiva, livre e partilhada, através da visão do mundo e o modo de consumo. Preservando e enaltecendo os produtos locais que pode oferecer uma partilha entre as pessoas.

Além das dimensões apresentadas, ainda envolve a dimensão social e ecológica, o que torna essa economia multidimensional, isso porque, além da visão econômica e geração de trabalho e renda, a economia solidária se projeta no espaço público, tendo uma visão de construção de um cenário socialmente justo e sustentável.  Deve ser lembrado que a economia solidária não substitui as obrigações legais do Estado, mas reforça a visão social em relação ao trabalho e consumo.

Um termo muito usado ultimamente que se encaixa na ideologia da economia solidária é a economia colaborativa, também conhecida como economia compartilhada, que por meio da tecnologia, ajuda a partilhar negócios entre as pessoas, o que gera economia e ajuda promover a sustentabilidade, além de ser uma ação mais humana.  Nesta nova proposta, o acesso é mais importante que a posse e todo mundo pode ser fornecedor e consumidor ao mesmo tempo, o que acontece na dimensão econômica na economia solidária.

Algumas empresas, visando o consumo coletivo já realizam serviços de compartilhamento, exemplo: Airbub e Couch Surfing, que oferece hospedagem de pessoas em seu apartamento, a empresa brasileira Fleety, que viabiliza o compartilhamento de veículos entre pessoas, a Tem Açúcar, uma plataforma de compartilhamento de objetos e muitas outras.

A ideia da economia solidária, seja ela chamada de economia colaborativa ou compartilhada é a distribuição com foco na valorização humana, o que gera uma compreensão muito maior do que o próprio eu individualista, mas entra em ação e valoriza o nós, o coletivo. 

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